sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

II - MOTOBOYS: A BOLA DA VEZ - O Síndrome de uma Categoria em Crise

Quando tratei do paradigma do menor abandonado (post abaixo), lembro que tinha em mente atacar um problema específico que ronda a noção de categoria profissional a qual pertencem aos chamados motoboys.
Como disse, você sabia que, até o início do século 20, a criança na sua primeira infância era considerada um sujeito sem voz - isto é, um sujeito sem direitos? Elas só passaram a serem consideradas sujeitos de direitos após um longo processo, que culminou no lançamento do Estatuto da Criança e do Adolescente - ECA, a menos de vinte anos, que, qualificou a infância como parte do processo de formação dos indivíduos, e que teriam que serem ouvidas, mas principalmente acabou com uma distinção que o juizado de menores fazia, entre criança pobre "menor" e a infância dos ricos "criança", onde se estabeleceu os direitos e as responsabilidades que estas têm e os deveres que o Estado tem com esta fase da vida de cada cidadão, independente de sua classe social.

Parece meio didático usarmos o exemplo da infância no Brasil para tratar de motoboys, mas há algo de muito semelhante, principalmente quando observamos como são tratados no seu dia-a-dia. Apesar de existirem, enquanto pessoas, os motoboys vivem situações próximas ao do menor abandonado. O síndrome de quem ainda não encontrou a possibilidade de expressar seus valores e por isto é o tempo todo mal interpretado, até mesmo pelas pessoas que dizem seus representantes.

O próprio termo motoboy é um neologismo. Vejamos: o serviço de motoboy foi criado como "bico", e rapidamente se espalhou. E olha que a palavra "motoboy" nem mesmo foi importada, pois ela não pertence à língua inglesa, mas foi cunhado no próprio Brasil pela justaposição da sufixo moto (redução de "motocicleta") e boy ("garoto", "rapaz" em inglês). Ou seja, garotos e motos criaram uma nova profissão, mas na raiz o termo "motoboy" já guardava algo que as pessoas não desejavam levar muito sério, uma vez que a moto nunca foi bem vista pela sociedade, e "garotos", etmologicamente, designa alguém que ainda se encontra em formação, por tanto, pessoas que não tem opinião formada.

Ora, como sabemos, muitos querem ver este profissional como alguém "menorizado". Esta ideologia, que não leva em consideração a opinião deles, quer nos convencer de que eles não tem capacidade de se expressar e emitir sua opinião. Quem leu o artigo abaixo, onde fiz esta referência ao menor abandonado, certamente, compreenderá onde estamos, e como há muito interesse por trás de que eles, "os motoboys", continuem a ser considerados assim, nada se faz para levar a eles algum conhecimento. Ao contrário, o que vimos durante este estes 25 anos de categoria foi que, os grupos que detém o poder econômico sobre a categoria, tem a todo custo colocado uma mordaça naqueles que pretendem levar a essas pessoas um pouco de esclarecimento. Que no fundo, são pessoas que sabem que seus direitos não estão sendo respeitados, que lucram em cima disso, mesmo sabendo que estes têm e também reconhecem em suas atividades profissional, suas responsabilidades.

E nós estamos diante de um problema é ainda mais complexo, ou seja, a falta de uma definição que leve em conta não apenas uma melhor caracterização da profissão...

(tal tentativa já foi feita por outros, como é o caso de outro neologismo criado para denominar o profissional motociclista, como "moto-frete". Ou mesmo chama-los de "motociclista profissional", na tentativa de dar-lhe um ar de profissionalismo)

... mas também sua real compreensão, enquanto conceito referencial para se pensar uma categoria profissional no campo ampliado dos embates da vida social.

É o caso de investigarmos, naquilo que uma classe de trabalhadores se define, pelas condições materiais que há determina, nas demandas que ela cria, e naquilo que é determinado por ela, ou seja, sua históricidade. Portanto, é no seu histórico de luta que, vamos resgatar o processo e as condições para que, enquanto categoria profissioanl, passe a ser ouvida. Ou seja, seu processo de construção da sua identidade, também é o processo de sua emancipação. Mas que isto não fique apenas nas palavras ou teoria - coisa de filósofo, diriam alguns - e sim, traga novas luzes pra se refletir sobre as determinações desta nascente classe de profissionais. E isto é feito com ações concretas, daí a necessidade de aqui criarmos este forum permantente de discussão e debates públicos.


Este é um bom momento para nossa categoria, estamos fechando o ano, façamos um pequeno balanço de tudo que rolou neste ano.

Isto já seria um bom ensaio para termos uma idéia de como vão se constituindo os caminhos destes profissionais, na busca de reconhecimento e legitimação de seus serviços. Para nós, que traduzimos estas experiências em passos importantes para abrirmos um debate em torno do conceito "profissional motociclista", cabe apontar as antinomias e ambivalências, justamente, por falta de um conceito por parte daqueles que pensam a Categoria dos Profissionais Motociclistas. Mas também apontar algumas vitórias, como foi o caso da categoria em São Paulo ter finalmente começado a organizar sua política.


Começamos o ano de 2008 com a "guerra das Resoluções". Lembramos que nem ainda se falava em 'movimento dos motoboys', quando o descontentamento geral levou os motoboys à rua, de capacetes em punho, eles pararam diversas cidades no Brasil com suas manifestações de revolta contra as imposturas dos órgãos reguladores de trânsito. As trapalhadas em torno das Resoluções 203 e 219 deixaram a nú as imperícias destes órgãos, que por falta de uma legislação federal, tentavam amenizar as estatísticas dos altos indices de acidentes com motos a base de selinhos e padronização da categoria dos motoboys, como se essas fossem as causas primárias da total des-regulamentação do setor, e esta, a causa dos acidentes.

Um dia histórico para a categoria foi a grande manifestação que realizamos no dia 18 de janeiro de 2008 em frente a prefeitura na cidade de São Paulo. A mobilização organizada pelo Sindicato dos Mensageiros Motociclistas do Estado de São Paulo foi um marco na nossa história.

Esta paralização teve rápida adesão dos mensageiros e motoboys e ajudou a colocar a nossa Categoria na agenda política da cidade, inclusive, com esta oportunidade deu-se cabo a uma antiga controvérsia em torno da regulamentação no municipio, por conta de uma agenda que proporcionasse um encaminhamento à difícil tarefa de regulamentar o "moto-frete" no municipio de São Paulo. Como sintoma desse desbloqueio na pauta, podemos lembra a frase do senhor Fernando Souza - Diretor do SETCESP (sindicato patronal), que disse à época em uma Audiência Pública na Câmara Municipal de São Paulo: - "A classe empresarial está cansada!", referindo-se as sucessivas tentativas do poder público Regulamentar o segmento.

Creio que as palavras acima expressam bem aquilo que viemos dizendo e retomamos neste artigo: a falta de mecanismo de escuta dos profissionais motociclistas tem levado as políticas de padronização ao seu extremo, sem considerar as especificidades do segmento. Mas ora, o que eles, os motoboys, teriam a dizer?

Assim como a tentativa de veto do Código, proibindo definitivamente o "corredor", que nos meses seguinte, foi anunciado e logo depois foi esquecido, vimos estes atos e outros, dos gestores públicos e mesmo de legisladores, serem apresentados todos totalmente sem bases, sem conhecimento.

Seja por que estes gestores não conseguem ascultar os motociclistas, seja por falta de articulação dos representantes de classe. Isto, para não dizer do tipo de "passividade" que tem suas desculpas na própria inaplicabilidades das regras, por elas não terem relação com a realidade dos motociclistas, mas também, estes, por se escorarem no fácil reconhecimento que estas leis, feitas de cima para baixo, são totalmente rejeitadas pelos profissionais. Estes por não conhecerem ou desconfiarem das regras, aqueles por não se verem incluidos nos debates que deveriam participar por direito - é o caso do absoluto desdém, por parte do Conselho Nacional de Trânsito, não ceder uma cadeira a um representante dos profissionais motociclistas. Mas todas estas críticas podem ser relativizadas, dadas as dificuldades desses agentes em entenderem a crise que estamos todos submetidos, daí o vai-e-vem das Resoluções, Regulamentações, etc. Dai a descrença geral, por parte dos profissionais motociclistas nestes artifícios - e neste ponto, estamos com eles.

Só assim poderemos aprofundar este grande debate - mesmo a contra-gosto de algumas pessoas infiltradas na Categoria, que, por nunca terem subido numa moto, acham que tem as todas as respostas para solucionar os graves problemas que nos atingem, e tentam a todo custo impor através de lobby, seus produtos a esta classe de profissionais que está em processo de gestação.

Como todos sabem a base das reivindicações dos motoboys e mototaxistas é de cunho legislativo. Este é o ponto.

Assim, vimos durante o ano de 2008 desfilarem pela Câmara e o Senado um determinado número de Projetos de Leis, uns e outros acertavam em alguns pontos, noutros aumentavam ainda mais as antinomias, chegando até mesmo passar um Projeto onde os mototáxistas foram retirados do texto para, assim, aprovarem um objeto que não tinha função nenhuma, senão, reconhecer os motoboys como profissão. Infelizmente falta muito, isto é pouco. E sem articulação política seremos obrigado a ouvir esta infinita cacofonia...

Principalmente faltam os princípios. A possibilidade de pensar a Categoria para aquilo que não apenas nos apontarão no futuro uma simples credencial, ou um condumoto. Aos profissionais motociclistas é necessário uma carteira de habilitação específica, mas também, mais importante, criarem-se critérios para que estes profissionais não mais tenham perdas no futuro - e, neste ponto, reconhecer, seja por parte dos representantes de classe, mas também pelos ditos empresários - que também padecem das ambigüidades que hão por trás da dupla contratualidade - que somos obrigados a ter uma Lei Federal reconhecendo toda a Classe, se quiseremos continuar a sustentar suas famílias. Ou seja, o fato da moto (meio de produção) ser dos profissionais leva as empresas a criarem os contratos de aluguel, que, regidos pelo mercado, cria a possibilidade de se ter parte desde mercado operando em duplo regime. Isto significa, enfim, deixar a porta aberta à informalidade.

Há nesta reflexão uma iniciativa muito clara, de aprofundarmos a discussão sobre a nossa profissão, mas não só isso, faço um convite para quem desejar se manifestar(para isto sugiro o leitor deixar seu comentário abaixo), fazê-lo.

***Há uma necessidade latente de pensarmos que só assim poderemos juntar massa crítica para que haja uma mudança estrutural em nosso Setor.

O potencial de uma Categoria está na sua relação com as demandas que ela cria, e os Profissioanais Motociclistas têm o direito de experienciar a essência de sua Categoria. Vivenciar aquilo que é sua a especificidade.

Para isto passaremos agora a referir o conjunto de suas características não mais pela alcunha "motoboy". Para isto, todos podemos deixar nos envolver com a complexa relação com que esta nova categoria vem lidando.

A partir de suas demandas e de suas possíveis soluções - ou seja, compreender que este profissional, tendo nele reconhecido o potencial de suas capacidades, e a valoração em torno deste reconhecimento mútuo (já que só é valor na relação, na medida que aquele que toma seus serviços o compreende como algo de muito valor) vem unido a imagem da motocicleta, como expressão de um saber fazer.

Abraço e feliz Ano Novo a todos!!

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Road Machine: Motoboys se expõem a riscos no trânsito

Road Machine: Motoboys se expõem a riscos no trânsito

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

I - MOTOBOYS: A BOLA DA VEZ - O paradigma do Menor Abandonado

Você sabia que até o início do século 20 a criança na sua primeira infância era considerada um sujeito sem voz - isto é, um cidadão sem direitos?

A infância, hoje, é entendida como uma categoria social construída historicamente. E podemos, por exemplo, fazer uma breve caracterização das infâncias representadas ao longo da história.

A palavra infância vem do latim, infantia, que significa incapacidade de falar. Considerava-se que, antes dos 7 anos de idade, sem a fala elaborada, a criança não conseguia expressar seus pensamentos, seus sentimentos, portanto não cabia a ela opinar.

Durante muitos séculos as crianças eram consideradas adultos em miniatura, basta lembrar aquelas pinturas onde vemo-as vestidas em roupas de adultos. Isto levava, apesar de uma aparente atenção e sentimentos fraternos, inocência, ingenuidade e graciosidade, a ver a infância como um instrumento de diversão adulta, tal qual um animal de estimação em termos de importância.

Caso chegasse a falecer, muito freqüente devido às condições precárias de sobrevivência, havia um sentimento de substituição, pois logo outra criança nasceria e a substituiria. Uma espécie de anonimato estava presente neste sentimento dirigido à infância.

Com o passar do tempo, e com a invenção da indústria, foi direcionado um novo olhar sobre as crianças. Estas passaram a ser vistas como tendo um valor econômico a ser explorado e elas eram utilizadas como instrumento de trabalho: aqui me retenho sobre um dado que é encontrado em registros da época e que tem feito muitos incrédulos a reverem seu ceticismo: basta saber que para alcançar o algodão que ficavam entre as frestas das grandes máquinas textil era utilizados os braçinho e dedinhos das crianças, que também eram preparadas para servir na Revolução Indústrial, a partir da sua fase adulta.

Visto assim, a criança é considerada apenas como um futuro adulto. Viver a infância passa a ser um período dominado por modelos de preparação para ser o futuro adulto. A criança como tal, com identidade específica, continuava a ser desrespeitada e desumanizada. E não podemos esquecer que as crianças tem direitos ao seu espaço/tempo, de brincar, de correr, de se relacionar com outras crianças, etc... mas, principalmente, de errar e aprender.

Esta noção, que as crianças tem direitos, ela é muito recente. A infância começa a ser percebida com uma idade onde deve ter espaços onde ela possa se desevolver como sujeito de aprendizagem só se deu a partir do desenvolvimento das ciências humanas. Por volta do fim do séc. XIX e início do XX, quando as crianças foram retiradas das fábricas e levadas para uma coisa que deram o nome de Escola. Lá ela aprendia a perceber o mundo para além do mundo do trabalho - isto é, do adulto - e o prórpio desenvolvimento das nossas sociedades se baseou na melhor forma de ensino/aprendizagem: isto por que a criança passou a ser vista com outros olhos. Dai que, as crianças desses novos tempos possui características e necessidades não encontradas outrora.

Se faço aqui neste espaço esta referência toda ao estudo da infância é porque tenho em mente, algo bem preciso que pretendo atacar. Mas para isso, gostaria ainda de problematizar, neste universo infantil, dois tipos de infância que norteou a criação do Estatuto da Criança e do Adolescente: ou seja, os termos "criança" e o "menor".

Antes do atual Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA, a legislação brasileira apresentava uma abordagem parcial da infância. As leis eram elaboradas para a camada economicamente desfavorecida, trazendo para esta camada da população as medidas para “acusar” ou “proteger” a criança, que juridicamente era nomeada “menor”. A lei que era aplicada a um "menor" que fazia pequenos furtos era também aplicada, pelo Juizado de Menor, que, autorizado pelo Estado, podia retirar uma menina ou menino da proteção da família pobre e lançá-los na FEBEM.

Centrada no controle das crianças e adolescentes pobres, a lei pretendia “ajustar” as condutas sob a lógica do “bem estar do menor”. Havia na legislação brasileira dois tipos de infância: crianças e menores. Aquelas que tinham suas necessidades básicas amplamente satisfeitas eram denominadas crianças e adolescentes. Aquelas com necessidades básicas total ou parcialmente insatisfeitas eram denominadas menores, sendo tratadas através de leis de exceção.

Havia inclusive uma manchete de jornal que dia, olha que absurdo: "Menores invadem escola e atacam crianças". Como se estes "menores" não fossem crianças também, detentoras de direitos.

Bom, ao superar os antigos códigos e leis específicas que tratavam diferentemente as crianças pela classe social o ECA universalizou direitos e seguridades a todas as crianças e adolescentes. Assim a criança passou a ser considerada cidadão com direitos. Considerando tais elementos, nós passamos então a encarar esta fase da vida humana como "detentora de direitos", dotada de competências e capacidades a serem aprimoradas, com condições para exercer a sua cidadania.



Este texto só foi possivel a partir da leitura (e reflexão) do folder do III ENCONTRO DA ESCOLA CIDADÃ Cultura da Infância, direitos e exercício da cidadania
da Secretaria do Município de Sorocaba.

domingo, 6 de julho de 2008

Um momento de reflexão

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Gil, presidente do SINDIMOTOSP, discursando no 1º Seminário "São Paulo Sobre Duas Rodas"






peço perdão pela demora, caro leitor, em escrever neste espaço novamente,

Desde já no último encontro das lideranças sindicais, representando os trabalhadores motociclistas do Brasil, no 1º Seminário "São Paulo Sobre Duas Rodas", organizado pelo SINDIMOTOSP, aqui em São Paulo, venho buscando me concentrar sobre o momento de transformação que vive a nossa Categoria, de fato, pela primeira vez em nossa história começamos a entrar num ciclo de organização mas, agora me refiro a um nível nacional de organização.

Sabemos, desde há muitos anos que todos os sindicatos de outros Estados aguardam que São Paulo possa se organizar, pois, contendo a maior frota de profissionais motociclistas, somaremos forças, na tentativa de barrar as paulatinas seqüências de parte do Poder Público em regulamentar o setor, sem conhecer de fato seus problemas.
Esta forçagem deve hoje, principalmente, pelo enorme contingente de pessoas que trabalham de moto, que pelo volume de votos atrai cada vez mais uma participação política de curral eleitoral, aparecendo assim, muitos políticos "interessados" em resolver nossos problemas. Exemplos já foram vistos em eleições passadas, está acontecendo agora, com o encaminhamento da lei que regulamenta o motoboy no congresso e proíbe o mototáxis, e vamos continuar vendo ainda por algum tempo.

Essa questão já estava presente desde o 1º Fórum Nacional dos Profissionais Motociclistas, no Instituto Dante Pasanezzi, que organizei em parceria com a revista Motoboy Magazine em 2000, que teve o apoio da Abraciclo e dos sindimotos que já se encontravam em operação no Brasil.

Naquele momento, quando o prefeito Celso Pitta (que hoje se encontra preso (?), que após juntar em seu gabinete os empresários que atuavam no segmento moto-frete (neologismo funcional esse inventado por eles para designar o trabalhador que faz pequenas entregas no centro urbano que se utilizam à motocicleta para esta tarefa), um representante sindical que nunca fora eleito pelos motociclistas (até mesmo são suspeitas à forma com que o registro do sindicato foi deferido), alguns pseudos-empresários (que se apropriam do estatuto das cooperativas [coopergatos] para enriquecerem sonegando impostos, alguns representantes das montadoras de motos (que viram na oportunidade uma forma de vender mais motocicleta, sob as condições prepostas), assinou o primeiro Decreto regulatório e colocou a polícia na rua pra fazê-lo cumprir, criou-se um ambiente de total indignação, tanto que o próprio SETCESP (Sindicato Patronal), quanto os motoboys - que naquele momento tinham uma organização mínima -, tomaram a iniciativa de se
realizar seminários e fóruns.

Mas se o seminário organizado pelo Sindicato Patronal, que o fez mais na tentativa de apaziguar os empresários insatisfeitos, do que realmente "explicar" o Decreto, naquele momento mais trouxe dúvidas que realmente esclareceu as reais necessidades de se criarem mecanismos legais para conter as diversas arruaças que os motoboys faziam nas vias públicas. Por outro lado, o 1º Fórum Nacional que organizamos, serviu para alertar para a sociedade que tínhamos o direito de sermos ouvidos. No entanto este Fórum só pode ocorrer e só contou com a participação do Secretário dos Transporte, Getúlio Hanashiro e seus corrigionários, por uma tentativa deles nos dizer, "olha nós ouvimos vocês", e tinha lá uma mensagem que era tipo, "viemos aqui, explicamos as regras, obedeçam". O que ficou de lição foi que usamos desse artifício para segurar o processo de regulamentação e ganharmos tempo para, chegando as eleições, o uso da força seria inoportuna. Mas como podemos perceber ao aproximarmos da eleição este ano, esse recurso pode jogar contra nós, vejamos:

O pano de fundo continua. Mudam as conjunturas.

Tanto naquela primeira assinatura, quanto no atual Projeto de Lei 14.491, aprovado pela Câmara Municipal, em 27 de junho de 2007, os motoboys não foram ouvidos, e, se naquele momento os motoboys e os pequenos empresários resistiram, neste momento, a atual diretoria do SINDIMOTOSP corre atrás dos vereadores. Primeiro para reverter alguns pontos que passaram ser o cavalo de batalha de algo que em todos os sentidos não há como se realizar, sem Leis complementares tanto nas estâncias federais quanto nas estaduais. E segundo, podemos observar como que, por não se resolverem algumas antinomias que contém o objeto de Lei, os motoboys e seus agenciadores esperam impassíveis o momento em que serão enquadrados pelo jogo de forças que passaram a atuar, com essas medidas e Resoluções. E nessas idas e vindas cria-se o temor de que forças atuando por fora da visibilidade da maioria das pessoas possam lançar toda a Categoria num outro panorama - onde certamente não seremos mais protagonistas - ainda que padronizados.

Deveras é um momento muito particular, e que pede que paremos para fazer uma reflexão. E iludem-se aqueles que acham que são intragáveis por estas forças, empresários e profissionais motociclistas.

Logicamente não são gratuitas estas medidas que estão ai, haja vista a quantidade de acidente com motociclistas e todo tipo de problemas que existe por falta de um marco regulatório para o Setor. Mas os encaminhamentos, que partem dessa justificativa e que nos levam a esta situação, continuam sendo feitos por "interessados" em padronizar estes profissionais com fins meramente lucrativos sem pensar nestes pais de famílias - e nem de perto os motoqueiros participam das decisões que serão obrigados a acatar sob pena de multas e prisões. (Não preciso lembrar aqui o processo de regulamentar os perueiros: de arma em punho extirparam todos os que não conseguiram licença para operar no setor.)

Claro que são classes completamente diferentes.

Mas sob o risco de se repetir procedimentos dessa natureza ficamos atentos às posições políticas que nossos representantes tomam diante de uma conjuntura na qual eles têm a responsabilidade de partilhar de decisões que tem o aval da sociedade mas não combinam com a essência dessa classe profissional.

O fato de ser ano eleitoral aquiesce à vontade de alguns em fazer o uso da força para fazer valer a Lei. De outros, nasce à necessidade de se propor uma abertura de diálogo para que se encontrem as condições necessárias para que a Categoria se enquadre nos parâmetros, não só da legalidade, mas do próprio mercado, já que no fundo, quem de fato perde com a falta desse são os próprios profissionais motociclistas.

Exemplos temos visto em outros setores onde após se criar uma regulamentação todos tiveram ganhos e uma melhor qualidade de vida para os profissionais.

Uma classe de trabalhadores se define pelas condições materiais que há determina. Os mensageiros, motoboys e mototaxistas são proprietários do meio de produção. Com suas motos eles deveriam possuir autonomia suficiente para impedir que outros decidam sobre o modo como eles operam seus trabalhos e os frutos deste. No entanto, seríamos uma classe de alienados?

A alienação é quando estes indivíduos não se reconhecem enquanto classe. E isto não é verdade. Os motoboys resistiram a quatro tentativas de gestores públicos em baixarem decretos-leis que não atendiam minimamente suas necessidades.

E a pergunta que fica é esta: como vão reagir estes profissionais, quando para aquilo que eles tem toda razão em negar, serão chamados a tomar um partido. Não se trata aqui de reduzir o problema. A equação que trouxe, com uma nova diretoria no sindicato dos mensageiros, mais atuante sobre as empresas de motoboys, o máximo que tal política poderá alcançar será levar o paciente a um estado mais agudo: e com alguma certeza os sindicalistas sobrepujaram algumas incorreções na relação destas empresas com seus profissionais, mais jamais levarão a cabo as perdas que estes profissionais tem quando padecem das ambigüidades que hão por trás da dupla contratualidade que são obrigados a ter se quiserem continuar a sustentar suas famílias.

Quando a coisa aperta e em vez de resolverem-se as contradições, elas aumentam de tensão.

Ora, a óbvia política de apropriação do marco regulatório (Lei 14.491) municipal como arma para enquadrar estas empresas significa que por um lado a Constituição de uma CLT que tinha como fim último regular e mediar as relações trabalhistas, ou está falido, quando vemos que ela fica em um segundo plano quando tantos trabalhadores ainda trabalham na informalidade, ou ela não tem força o suficiente para se transformar e acompanhar as mudanças que existem na sociedade. E para não nos delongar mais neste artigo, deixamos em aberto a questão que perpassa entre aqueles que querem a todo custo enquadrar os motoboys e aqueles que querem ver uma Regulamentação que de fato encontre nestas ressonâncias as condições materiais desta classe de profissionais. E digo profissionais e não apenas "trabalhadores", por que considero que quando estes são donos dos meios de produção, são deles as demandas para se constituir aquilo que muitos chamam de profissionais motociclistas liberais.

É um momento de grande reflexão.

Esta em jogo mais do que a posse "legalista" de uma alcunha representativa. A hora é de união e conhecimento - e de difícil decisão.

Um marco regulatório, a partir de agora, passará a ser um embate em todas as estâncias. Deveremos eleger pessoas que estão plenos destas necessidades de se solucionar os problemas da Categoria, mas sem matá-la, sem dividi-la (os com coletes e os sem coletes).

Voltando de viagem do Rio de Janeiro, onde tivemos a honra de receber o Prêmio Orilaxé, do Grupo Cultural AfroReggae, no Theatro Municipal, os coordenadores do canal*MOTOBOY em encontros com os diretores do SINDMOTORJ - mas também, conhecendo a realidade daquela cidade e da Categoria naquele Estado, como em muitas outras cidades e Estados, que encontram realidades tão diferentes e soluções idem -, passamos a conjurar a necessidade de reabrirmos o Fórum Permanente dos Profissionais Motociclistas, fórum este que foi idealizado no início de 2000 e que culminou na realização do 1º Fórum Nacional dos Profissionais Motociclistas. Pois, compreendemos que há uma real necessidade de se encaminhar um Debate a nível nacional que configure num irmanamento de idéias e projetos que hoje começam a tomar corpo no seio da Categoria.

São estes projetos, por exemplo, a vigoração de um colete identificatório dos moto-fretes e mototáxistas que vêm imbutidos ali um chip que apontam a posição dos motociclistas na cidade através do sistema de vigilância GPS via satélite, que apesar de encontrar boas intensões em seus uso para manter atualizadas estatísticas públicas, pode ferir gravemente a liberdade dos motociclistas se estes não serem donos dessa tecnologia.

Tal proposta apresentada no 1º Seminário, realizado pelo SINDIMOTOSP, não teve uma discussão aberta sobre seus usos e fins. Nem mesmo foram apontadas empresas que venham oferecer estas ferramentas e para quais fins.

Outra proposta que acorda a Categoria para uma apropriação dessa tecnologia nasce dos centros de pesquisas da Universidade de São Paulo, em parceria com o canal*MOTOBOY, onde foi possível haver um primeiro grande investimento na Categoria com fins científicos. Tal investimento, que veio através do centro de pesquisa da USP, a Cidade do Conhecimento, é uma pesquisa financiada pela Fundação Telefónica da Espanha, que visa investigar o impacto da telefonia celular móvel na América Latina.

A Categoria dos Profissionais Motociclistas foi escolhida entre outras comunidades, pois, por ser uma Classe emblemática, têm sido investigada por uma série de pesquisadores no Brasil, todos com o fim de vir a compreender o fenômeno dos motoboys.

É impressionante este momento por que, pela primeira vez, a forma com que os motoboys irão se organizar em São Paulo criará uma matriz onde nenhum ponto deste imenso país não será atingido. Se for isso que os outros Estados aguardavam não é possível saber. O movimento dos motoboys inicia um processo sem retorno, onde todos deverão ser incluídos para que qualquer regulamentação, em qualquer nível legislativo, venha primeiro através de consulta popular. Estamos na ponta de uma nova democracia digital. Por isto os processos deverão ser cada vez mais transparentes.

Haveria uma ponta de utopia aqui - alguém pode até nos acusar. Mas cabe a todos um momento de reflexão. Cabe aos nossos representantes eleitos serem transparentes em seus atos - sob pena de serem abandonados pelos seus companheiros de luta.

Há nesta iniciativa de reabrirmos o Fórum Permanente, não só um convite para quem desejar se expressar fazê-lo, mas uma necessidade manifesta de pensarmos que só assim poderemos juntar massa crítica para que haja uma mudança estrutural em nosso Setor.

Enfim, estão todos convidados a comparecerem (ou assistirem virtualmente via webTV) estes debates que é do interesse de todos, mas principalmente da sociedade que vê no movimento dos motoboys se revigorar uma discussão sobre a cidade e a cidadania.

Um abraço e esperamos sua participação.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

A grande revolução dos motoboys



Foto: Tadeu canal*MOTOBOY



Não dá para ficar indiferente a um recente artigo que saiu no Le Monde Diplomatique, em sua página na web, aqui na Brasil, onde, pela primeira vez, surge reflexão séria sobre o atual "movimento dos motoboys". Ignorar sua leitura torna-se-ia um mau cuidado não só em relação a si, como, um descaso considerável em relação aos “profissionais das duas rodas”, já que todos devemos estar atentos ao que pensa esta jovem Categoria.

Neste artigo, há algo que temos que observar com todas as letras, ou outras lentes, e merece o desafio. Para aqueles que já se ligaram neste "movimento", acredito que, depois dessa leitura, perceberá o novo sentido que ganha a luta dos motoboys, seja por seu reconhecimento, ou por seus direitos.

Se digo, é por boas razões. Primeiro, sua leitura trás novo alento a quem não via luz no fim do túnel, ou seja, os motoboys estão se mobilizando e criando sua própria história.

Mas deixo para vocês tirarem suas próprias conclusões. Para além de qualquer ressalva, quero crer que, abarcar todo o significado que o autor deu, ao escreve este artigo, foi uma forma de engrandecer a nossa luta, mas também por basear suas impressões na recente mobilização dos motoboys aqui em Sampa, e também por conhecer a realidade de muitos destes nessa grande metrópole; tentou mostrar que algo como organizar uma semana de cultura motoboy, que eles próprios, os motoboys realizaram, tem um significado muito grande, tanto para a história dessa categoria, como para a própria cidade, que vai cedendo aos movimentos destes personagens acelerados e responsáveis, cabe aos intelectuais compreenderem este fenômeno.



- Site de Motoboys na Internet - Foto Neka canal*MOTOBOY


Vale a leitura. Mas não devemos ter ilusões, o texto é inteligentíssimo e não entrega ao leitor o argumento fácil. Mas este texto, que tem o dom de tocar em toda a complexidade do imaginário do motoboy, que possibilita pensá-lo, a partir da cultura, deve abrir caminhos para outros textos. Virão não um, mas muitas outros textos e é através de análises como esta, que podemos dizer que, sobre a totalidade desse "movimento", o autor deste artigo tem muito a dizer. E é isso que importa.


O que sugere então que, quando estas análises sobre os motoboys surgirem, virem a luz, ao se somarem umas as outras, possamos enfim vislumbrar um futuro condigno de grandes mudanças para estes profissionais motociclistas?

É correto pensar assim, mas serão eles os porta-vozes desse novo tempo.

Agora, se estas experiências afetarão o modo como é feita a política hoje, isso não temos dúvida, de alguma forma ela vai pôr em xeque a 'política do território'. Mais que um embate ideológico, talvez essa mobilidade aliada as teias virtuais criadas a partir da redes informacionais, levarão a um questionamento da forma atual de representação opaca, que vemos e pouco faz pelos profissionais motociclistas.

Mas, temos de abrir mão de qualquer interpretação apressada.

Enfim, o bom de deixar estes pequenos comentários aqui, talvez, seja uma forma de chamar a atenção e nos apegar ao texto do colunista do Le Monde, Eleilson Leite, sua leitura, é mais importante que nossos cometários.

Trata-se daqueles trabalhos crivados de observações a partir das manifestações culturais dos motoboys, por isso, penso que é fundamental ter a mente aberta e calma, seja por respeito aos Leitores interessados no assunto mas também pela riqueza de análise sobre o objeto: no caso a cultura que nasce com esse "movimento dos motoboys". Ela tem muito a dizer. Então boa leitura.

http://diplo.uol.com.br/2008-05,a2403

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Tótens e Tabús

Existe um mito de que toda sociedade em processo de formação passa pela necessidade de que há de se elevarem alguns tótens, para se prosseguir em sua organização material.

Penso que este mito começa a se repetir - ou seja, como afirmam alguns historiadores - a história é cíclica. Porém, como sempre, ela não se repete: a história dos motoboys está apenas começando. Agora eles desejam outra coisa, contar sua história a partir de suas experiências. Permear o caminho do poder-se organizar a partir de suas representações. Assim, vemos que o momento é marcado por um "movimento" ainda não bem definido, que, como já afirmei anteriormente, seria o movimento dos motoboys.

Para além das aparentes iniciativas do Poder Público para Regulamentar a profissão, inerte sob um manto de dúvidas, os principais atores deste movimento , se perguntam como atrair os motoboys para o marco da Regulamentação. Se a Categoria resiste; como é óbvio de se pensar, ao verem-se recusados pelos motociclistas que não querem se regulamentar, os sindicalistas e governantes interpretam isto como algo que fosse de parte da ignorância dos profissionais. Claro está que reconhecem o trabalho da nova diretoria, porém, qual a real vantagem em estar credenciado para fazer um trabalho, que tanto faz, fazem do mesmo modo sem o Cadastro da Prefeitura.

Isso, sem falar na falta quase total de comunicação entre os governantes e a Categoria (e no entanto, foram vistos pencas de cartazes de convocação feitas pela Prefeitura, oferecendo Cursos de Motofrete grátis, sabem onde? Nos ônibus!)

Talvez, o mentor desta belíssima idéia tenha pensado em mandar mais alguns cidadãos e operários a fazer o curso, e neste caso, acabavam com as lotações dos transporte público - mas, isso é só um comentário - vamos ao que interessa.

Até o momento, a Prefeitura recebeu apenas em torno de 4.000 cadastros para o motofrete. O Secretário, ofereceu cursos para 10.000 profissionais motociclistas.
Isso, pese toda a experiência que a máquina governamental já tenha acumulado, com as outras iniciativas das gestões anteriores em regulamentar e enquadrar a Categoria. Ora, o intuito puro e simples de seduzir os motociclistas com estes procedimento, não põem abaixo a desconfiança generalizada por parte da Categoria, em perceber o processo regulatório como uma forma a mais de perdas em suas rendas. Isto está claro, quando temos centenas de empresas que não moveram um centímetro seguer para se cadastrar. Mesmo que agora seja lei: mas se agem assim, é por que vêem nos próprios motoboys uma recusa inerente ao próprio modo de produção da nossa profissão.

A imagem negativa: é sempre do outro, o outro é que perde-se nas artimanhas do trânsito cruel e denigre a coletividade com atitudes violentas e irresponsáveis, é isso o que pensam todos - mas quando estamos no limite, "enrolando o cabo", como podemos ser o responsável por nossos atos, se parte desta causa é o próprio trabalho que - construído por outros, sejam eles, patrões ou clientes - nos jogam nessas armadilhas cotidianas.

Penso que sobre tudo isso, sejam fontes de uma especificidade que cada profissional motociclistas intuitivamente reconhece como sua, e incompreendido, deixa-se levar pelas boas ações alheias : - Preciso ser ajudado, mas eu faço tudo sózinho, venço o trânsito, ganho do relógio e chego a tempo!

Do mesmo modo que o motociclista se acha insuperável - e caso sofra um "acidente", ai sim, ele dá conta da sua fragilidade. Já os nossos representantes tendem a pensar como donos de todo o processo histórico, por que claro, entendem que a Categoria tem um lugar na Pólis, claro, mas ao falar em nome da Categoria, traduzem esta fala como se fosse uníssona, resultante apenas da sua própria visão e vontade - eis o tótem. Criar seu Símbolo (o "Brasão", a "bandeira") é apenas o desdobramento natural deste processo - "controlar a massa", eis a missão. Ou calar, diante do desconhecido.

Quando pensamos que a Categoria não é nada disso. Que para a vida da Cidade ela tem um outro significado - e, porque não, dizer que para a economia do país ela tem lá seu gradiente também representado.

Então, temos que admitir que um organismo vivo com tantas funções não precisa de uma única cabeça pensante, mas confiar que em suas várias faces ela traduz um conceito de trabalho para a Política? Não seria um tabú, isso de não tocar no dedo da ferida, de dizer que engana-se, quem pensa que esta Categoria tem um único e legitimo representante. Podemos confiar, em nossos guias, nos perguntamos?

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Bem Vindos ao Futuro!




Motoboys do canal*MOTOBOY no Campus Party 2008.


Esta semana começa o cadastramento para os motoboys tirarem o Condumoto e fazer o curso exigido pela Lei 14.491.

As inscrições pela internet para o curso que será subsidiado pela Prefeitura, será a princípio, gratuíto, para 10.000 motofretistas. Para o profissional motociclista se cadastrar ele deve acessar este LINK e se cadastrar: www3.prefeitura.sp.gov.br/smt/condumoto

Está mais do que claro, que a estratégia é boa.

Mas como diz o ditado, "casa de ferreiro, espeto de pau". Segundo o Secretário dos Transporte, Alexandre de Moraes, em dia de Audiência Pública, este é um recurso que a Prefeitura de São Paulo está criando para "ajudar" aqueles motociclistas que não tem dinheiro para pagar o Curso do Motofrete.

Obviamente, QUE TODOS, que ainda não fizeram os cursos, em tentativas fracassadas de Regulametação anteriores, vão recorrer ao Curso grátis, e com isso a Prefeitura consegue "mapear" o soldo de motoboys na Capital.

Ora, se é Lei, por que então se valer de artimanhas para convencer os trabalhadores a buscar o registro na Prefeitura. A Lei é pra se fazer valer? Ou é só um papel assinado por um Vereador - que nunca subiu numa moto - e entrou no jogo político pensando em futuros votos!

Bom, vamos deixar que os Leitores julguem estas formas de legislar, quem sabe, com o Cadastramento voluntário e o suor da equipe do Sindicato, o município economiza o dinheiro que deveria ser gasto com a fiscalização = Do contrário, vamos pensar que a Lei - que só prevê os deveres, e esqueçe os direitos - não precisa ser cumprida, já que não prestamos serviços públicos, mas operamos o serviço privado.

Enfim, a gente termina falando muitas coisas, e o importante corre o risco de ficar no silêncio.

Esta semana aconteceu a primeira edição brasileira do Campus Party. E nós motoboys estávamos lá!

Bem vindos ao futuro, caro amigos!

A participação do canal*MOTOBOY neste evento demonstra a capacidade deste grupo de motoboys se orientarem para o futuro - enquanto boa parte da Categoria ainda vive em condições quase da Idade Média - e as formas de organizações representativas ainda andam pelo Século XIX!

A questão não é apontar que nós somos melhores ou não que os outros, mas verificarmos que estamos trilhando um caminho completamente diferente daquilo que até hoje se pensou em termos de modelo de negócio envolvendo os profissionais motocilcistas.

Como disse o prof. Gilson Swchartz, comentando da parceria canal*MOTOBOY e Cidade do Conhecimento (USP), "vamos discutir e pesquisar a mobilidade 3.0. Sobrepondo a mobilidade física dos motoboy com a digital, das comunicações móvel celular. Buscando novos modelos de negócios e promovendo uma transformação da própria imagem do motoboy diante da cidade, do trabalho e de si mesmo."

Esta pesquisa que vai integrar os profissionais motociclistas do canal*MOTOBOY em uma grande comunidade, vai criar e testar serviços combinando o uso do celular e da motocicleta na malha urbana da metrópole. Os resultados da pesquisas serão divulgados junto com outros estudos até o final do ano pela Fundação Teléfonica da Espanha.

Como reza a cartilha popular, o seguro morreu de velho: então, se nós pudermos combinar o padrão cultural que o canal*MOTOBOY vem alçando, com parcerias e conteúdo, mais a possibilidade real de vermos a Categoria regulamentada, e reconhecida, tudo indicar que o futuro reserva aos Profissionais Motociclista outro patamar de melhoria de qualidade de vida - e por que não falarmos a palavra chave para o milênio que já adentramos - finalmente - : EMANCIPAÇÃO.

Bom, agora é correr MENOS e ganhar MAIS.

Agradecemos a todos que acreditaram que um dia veríamos uma "Luz no fim do túnel".

canal*MOTOBOY

canal*MOTOBOY
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