quinta-feira, 17 de abril de 2008

Tótens e Tabús

Existe um mito de que toda sociedade em processo de formação passa pela necessidade de que há de se elevarem alguns tótens, para se prosseguir em sua organização material.

Penso que este mito começa a se repetir - ou seja, como afirmam alguns historiadores - a história é cíclica. Porém, como sempre, ela não se repete: a história dos motoboys está apenas começando. Agora eles desejam outra coisa, contar sua história a partir de suas experiências. Permear o caminho do poder-se organizar a partir de suas representações. Assim, vemos que o momento é marcado por um "movimento" ainda não bem definido, que, como já afirmei anteriormente, seria o movimento dos motoboys.

Para além das aparentes iniciativas do Poder Público para Regulamentar a profissão, inerte sob um manto de dúvidas, os principais atores deste movimento , se perguntam como atrair os motoboys para o marco da Regulamentação. Se a Categoria resiste; como é óbvio de se pensar, ao verem-se recusados pelos motociclistas que não querem se regulamentar, os sindicalistas e governantes interpretam isto como algo que fosse de parte da ignorância dos profissionais. Claro está que reconhecem o trabalho da nova diretoria, porém, qual a real vantagem em estar credenciado para fazer um trabalho, que tanto faz, fazem do mesmo modo sem o Cadastro da Prefeitura.

Isso, sem falar na falta quase total de comunicação entre os governantes e a Categoria (e no entanto, foram vistos pencas de cartazes de convocação feitas pela Prefeitura, oferecendo Cursos de Motofrete grátis, sabem onde? Nos ônibus!)

Talvez, o mentor desta belíssima idéia tenha pensado em mandar mais alguns cidadãos e operários a fazer o curso, e neste caso, acabavam com as lotações dos transporte público - mas, isso é só um comentário - vamos ao que interessa.

Até o momento, a Prefeitura recebeu apenas em torno de 4.000 cadastros para o motofrete. O Secretário, ofereceu cursos para 10.000 profissionais motociclistas.
Isso, pese toda a experiência que a máquina governamental já tenha acumulado, com as outras iniciativas das gestões anteriores em regulamentar e enquadrar a Categoria. Ora, o intuito puro e simples de seduzir os motociclistas com estes procedimento, não põem abaixo a desconfiança generalizada por parte da Categoria, em perceber o processo regulatório como uma forma a mais de perdas em suas rendas. Isto está claro, quando temos centenas de empresas que não moveram um centímetro seguer para se cadastrar. Mesmo que agora seja lei: mas se agem assim, é por que vêem nos próprios motoboys uma recusa inerente ao próprio modo de produção da nossa profissão.

A imagem negativa: é sempre do outro, o outro é que perde-se nas artimanhas do trânsito cruel e denigre a coletividade com atitudes violentas e irresponsáveis, é isso o que pensam todos - mas quando estamos no limite, "enrolando o cabo", como podemos ser o responsável por nossos atos, se parte desta causa é o próprio trabalho que - construído por outros, sejam eles, patrões ou clientes - nos jogam nessas armadilhas cotidianas.

Penso que sobre tudo isso, sejam fontes de uma especificidade que cada profissional motociclistas intuitivamente reconhece como sua, e incompreendido, deixa-se levar pelas boas ações alheias : - Preciso ser ajudado, mas eu faço tudo sózinho, venço o trânsito, ganho do relógio e chego a tempo!

Do mesmo modo que o motociclista se acha insuperável - e caso sofra um "acidente", ai sim, ele dá conta da sua fragilidade. Já os nossos representantes tendem a pensar como donos de todo o processo histórico, por que claro, entendem que a Categoria tem um lugar na Pólis, claro, mas ao falar em nome da Categoria, traduzem esta fala como se fosse uníssona, resultante apenas da sua própria visão e vontade - eis o tótem. Criar seu Símbolo (o "Brasão", a "bandeira") é apenas o desdobramento natural deste processo - "controlar a massa", eis a missão. Ou calar, diante do desconhecido.

Quando pensamos que a Categoria não é nada disso. Que para a vida da Cidade ela tem um outro significado - e, porque não, dizer que para a economia do país ela tem lá seu gradiente também representado.

Então, temos que admitir que um organismo vivo com tantas funções não precisa de uma única cabeça pensante, mas confiar que em suas várias faces ela traduz um conceito de trabalho para a Política? Não seria um tabú, isso de não tocar no dedo da ferida, de dizer que engana-se, quem pensa que esta Categoria tem um único e legitimo representante. Podemos confiar, em nossos guias, nos perguntamos?

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Bem Vindos ao Futuro!




Motoboys do canal*MOTOBOY no Campus Party 2008.


Esta semana começa o cadastramento para os motoboys tirarem o Condumoto e fazer o curso exigido pela Lei 14.491.

As inscrições pela internet para o curso que será subsidiado pela Prefeitura, será a princípio, gratuíto, para 10.000 motofretistas. Para o profissional motociclista se cadastrar ele deve acessar este LINK e se cadastrar: www3.prefeitura.sp.gov.br/smt/condumoto

Está mais do que claro, que a estratégia é boa.

Mas como diz o ditado, "casa de ferreiro, espeto de pau". Segundo o Secretário dos Transporte, Alexandre de Moraes, em dia de Audiência Pública, este é um recurso que a Prefeitura de São Paulo está criando para "ajudar" aqueles motociclistas que não tem dinheiro para pagar o Curso do Motofrete.

Obviamente, QUE TODOS, que ainda não fizeram os cursos, em tentativas fracassadas de Regulametação anteriores, vão recorrer ao Curso grátis, e com isso a Prefeitura consegue "mapear" o soldo de motoboys na Capital.

Ora, se é Lei, por que então se valer de artimanhas para convencer os trabalhadores a buscar o registro na Prefeitura. A Lei é pra se fazer valer? Ou é só um papel assinado por um Vereador - que nunca subiu numa moto - e entrou no jogo político pensando em futuros votos!

Bom, vamos deixar que os Leitores julguem estas formas de legislar, quem sabe, com o Cadastramento voluntário e o suor da equipe do Sindicato, o município economiza o dinheiro que deveria ser gasto com a fiscalização = Do contrário, vamos pensar que a Lei - que só prevê os deveres, e esqueçe os direitos - não precisa ser cumprida, já que não prestamos serviços públicos, mas operamos o serviço privado.

Enfim, a gente termina falando muitas coisas, e o importante corre o risco de ficar no silêncio.

Esta semana aconteceu a primeira edição brasileira do Campus Party. E nós motoboys estávamos lá!

Bem vindos ao futuro, caro amigos!

A participação do canal*MOTOBOY neste evento demonstra a capacidade deste grupo de motoboys se orientarem para o futuro - enquanto boa parte da Categoria ainda vive em condições quase da Idade Média - e as formas de organizações representativas ainda andam pelo Século XIX!

A questão não é apontar que nós somos melhores ou não que os outros, mas verificarmos que estamos trilhando um caminho completamente diferente daquilo que até hoje se pensou em termos de modelo de negócio envolvendo os profissionais motocilcistas.

Como disse o prof. Gilson Swchartz, comentando da parceria canal*MOTOBOY e Cidade do Conhecimento (USP), "vamos discutir e pesquisar a mobilidade 3.0. Sobrepondo a mobilidade física dos motoboy com a digital, das comunicações móvel celular. Buscando novos modelos de negócios e promovendo uma transformação da própria imagem do motoboy diante da cidade, do trabalho e de si mesmo."

Esta pesquisa que vai integrar os profissionais motociclistas do canal*MOTOBOY em uma grande comunidade, vai criar e testar serviços combinando o uso do celular e da motocicleta na malha urbana da metrópole. Os resultados da pesquisas serão divulgados junto com outros estudos até o final do ano pela Fundação Teléfonica da Espanha.

Como reza a cartilha popular, o seguro morreu de velho: então, se nós pudermos combinar o padrão cultural que o canal*MOTOBOY vem alçando, com parcerias e conteúdo, mais a possibilidade real de vermos a Categoria regulamentada, e reconhecida, tudo indicar que o futuro reserva aos Profissionais Motociclista outro patamar de melhoria de qualidade de vida - e por que não falarmos a palavra chave para o milênio que já adentramos - finalmente - : EMANCIPAÇÃO.

Bom, agora é correr MENOS e ganhar MAIS.

Agradecemos a todos que acreditaram que um dia veríamos uma "Luz no fim do túnel".

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Um dia histórico para a Categoria.




Fotos: Neka canal*MOTOBOY


De fato foi um dia especial. E finalmente começa amadurecer a percepção, que nenhuma entidade sozinha, seja ela patronal ou dos trabalhadores, pode encontrar, como uma fórmula mágica, soluções para os graves problemas da Categoria.

Foi antes de tudo uma lição. O Poder Executivo e Legislativo, frente a frente, levando a cabo toda a complexidade, que envolve uma adequada regulamentação no segmento motofretista.

Enquanto debate: todos puderam expôr seus pontos de vista.

Mas só quem esteve de corpo presente pôde compreender as possibilidades que agora se
juntam e prometem, enfim, convergir em ações práticas pelos órgãos de governo.

É importante dissernir este campo de possibilidade.

Depois que o vereador Celso Jatene abriu a Audiência Pública, passou a palavra ao secretário de transporte Alexandre Moraes, que, prestando conta das ações da Prefeitura em relação às medidas tomadas nos últimos dias, procurou mostrar os encaminhamentos dados por sua Secretaria para se encontrar um consenso e buscar uma maneira de se enquadrar os problemas, dos motociclistas, conduzindo-os a um diálogo.

Discutiu-se pontualmente aquilo que se pretende fazer. E aqui há um marco que deve ser considerado. A postura do novo secretário de governo - ainda que contradiza as falas públicas do prefeito - é de quem sabe, que não se alcançará resultado algum sem um espaço de "conversa permanente" com todos os representantes de classe. Óbviamente, acreditamos nele, que tudo vai dar nos conformes, e que a "mesa" desta "comissão permanente" se encarregará de pôr abaixo os obstáculos que se têm pela frente.

Acreditamos - sim, podemos acreditar - que algumas contradições que em nenhum momento foram expostas ao público, serão, senão superadas, pelo menos, mantidas debaixo do tapete até, como disse o Secretário, até "passarmos o período de transição", pois, "logo após o cadastramento", continua ele, seremos agraciados por uma Categoria reconhecida e uniforme.

Entretanto, quem conhece as raízes desta incrível classe profissional sabe que o problema é mais embaixo - e ficamos na boa vontade - como lembro bem a voz do vereador Senival Moura dizendo: "não tem solução a curto e a longo prazo". Sim, senhores, é preocupante. Muito.

As soluções só existem quando toda a Categoria é chamada para descutir e decidir. Assim como foram outras Regulamentações - e aqui tomo o exemplo de Goiana onde primeiro os profissionais motociclistas foram à Câmara e só depois é que se aprovou uma Lei que lhes provessem -, ou seja, pelos caminhos da democracia e respeito ao próximo! Mas, infelizmente, na maior cidade do país fomos jogamos nas amarras políticas, quê, exatamente, esta participação do motoboy (negada!) trouxe...

Tornamo-nos consertadores de algo que não foi feito por nós - e isso não é apenas a minha "opinião" - tomo aqui a fala do senhor Fernando Souza - Presidente do SETCESP - disse ele: "A classe empresarial está cansada!".

Cansada de tentativas infrutíferas, para se fazer valer a lei e se obrigar a se fiscalizar as empresas informais, mas também de perder a guerra da concorrência desleal!

Ora, este esgotamento - e só este esgotamento (mais as ameaças de vermos aprovados outras Leis ainda piores, como a do garupa e agora o veto do Código proibindo definitivamente o "corredor") foi que encheu a Casa da Municipalidade. Mas também - e isto é fundamental para qualquer leitura futura deste momento político - como consegüência direta, foi a grande manifestação que realizamos no dia 18 de janeiro de 2008 nas barras da saia da Prefeitura. A imagem fala mais alto, ela grita para além das inúmeras mortes causadas no trânsito. E só cego não vê que os interesses políticos sobre os votos dos motoboys foram despertados...

Mas, isso não é de todo negativo. Temos que aproveitar a injeção de animo da nova diretoria do Sindicato. Temos aque aproveitar e incluir o motoboy na agenda política das próximas eleições. E acima de tudo elegermos um representante legítimo da Categoria para a Câmara, como percebeu bem o diretor do DTP, o Cel. Alegrete, a base das reivindicações dos motoboys "é de cunho legislativo". E aqui posso concluir, em todas as instâncias legislativas, seja elas, municipal, estadual e federal,

Claro está que o sentimento geral ao fim da Audiência Pública era de que ela não se encerrava em sí mesma, mas, é o ponta pé CONJUNTO - e aqui eu friso bem - onde devemos estar cientes que as soluções só serão completas quando trazermos aquelas outras instâncias legislativas para o Debate. É por isto, talvez, que nosso encontro de hoje ficaram nas questões "pontuais". E que a promessa de uma "comissão permanente" também entra pela via política, deixando de ser meramente técnica, como quer nos fazer acreditar alguns: mas que isso não nos desanime!

Enfim, para concluir, este governo tem o dever de levar a cabo a Regulamentação, conforme o Projeto de Lei 14.491. Mesmo que desta vez os profissionais motociclistas não concordem como as coisas foram feita. Levar este Decreto para a Categoria tornou-se a missão número um do Sindicato - mesmo que não tenha participado de sua execução - mesmo que isso venha dissolver sua suposta força política recentemente conquistada. Quem disse que ia ser mole, enganou-se, para o bem ou para o mal.

O que podemos desejar, senão boa sorte?

Deixo aqui uma carta enviada por um leitor à Revista Veja, sobre aquela nossa matéria, ela diz mais do que podemos dizer:

"Muito oportuna a reportagem sobre a difícil convivência entre motoqueiros e motoristas. Trata-se de um problema resultante da falta de previsão e planejamento de nossas autoridades. Hoje o serviço do motoboy é essencial para a cidade e fonte de emprego de massa."
Fernando Barreto Nogueira (grifo nosso)

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

É Proibido trafegar entre os carros - JT (01/02/08)














Foto: Evelson de Freitas - Agencia Estado


É natural quando surge uma crise na sociedade, a gente dar ouvido as pessoas mais velhas. Um problema tende a ser mais palatável quando verificado, a partir da opinião, e as autoridades são, na maioria das vezes, responsáveis por emitir pontos de vistas que cabe a imprensa relacioná-los, criando-se, assim, um senso de opinião pública - que não fique apenas no senso comum - mas reflita às contradições.

Ao ler as '4 perguntas' feitas pelo JT (01/02/08) ao Ministro das Cidades, ficamos de cabelo em pé, sobre a forma com que são reabertos os temas que constam na legislação.
O artigo (vetado) que proibe a circulação de motos entre os automóveis - que constava no antigo Código, mas que de fato não vigorava - voltou à tona. Agora faz-se uma consulta para derrubar aquele veto como se fosse o único responsável pela calamidade pública que se tornou as mortes de motociclistas em cada município desse país. De novo tenta-se aparar o sol com a peneira. Outra vez, vão-se combater os efeitos, e esquecem-se as causas. Novamente, vemos pessoas que não tem a mínima noção sobre a matéria do trânsito, decidindo sobre nossas vidas:

JT - "E o senhor defende a derrubada do veto por quê?"
MC - MARCIO FORTES -: "Para mim, ônibus, caminhão, automóvel é tudo a mesma coisa. Todos os veículos devem usar a mesma faixa, sem exceções. O problema é que alguém disse aos motociclistas que aquela faixa pintada no chão é para eles trafegarem. Precisam entender que não é. A faixa está lá para separar as pistas"

Ou seja, segundo a "opinião" do Sr. Ministro, é tudo igual.


Grata surpresa foi abrir o caderno semanal do Estadão e ver uma frase do presidente do sindicato dos motoboys, e olha o espanto:

"Não faz sentido. A moto vai deixar de ser moto. Agora vamos parar o Brasil" - Gilberto dos Santos


Sim não faz sentido. Chega um momento que pensamos que estamos em outro mundo. Mas quem está fora da realidade? O Ministro, que esquece que a mobilidade da moto deve ser parte do trânsito, e não meramente ter parte no trânsito? Os políticos que engabelam os fundos que deveriam ser aplicados nas vias públicas e com educação no trânsito? Os representantes dos motoboys e mototaxistas que não vêem a necessidade de se abrir uma discussão nacional sobre todos os pontos da legislação trabalhista - reconfigurando assim a tipologia dos serviços prestados a comunidade pelos trabalhadores motocilcistas?

Onde estamos? Será que de nada vale a regra que cada um é responsável pelo outro no trânsito? Que o maior deve protejer o veículo menor? Que se esquecermos este princípio ético estamos perdendo a noção básica de cidadania, e que a pseudo-equivalência que o senhor Marcio prega ela não apenas não é real, como vai contra as leis da física dos auto-móveis e outros utilitários de nosso trânsito.

Para onde vamos? Não vamos... o veto não vai ser derrubado (assim como aquele outro dos garupas, lembram?) Mas que temos que entrar imediatamente neste debate, isto é necessário, mesmo por que ninguém pode nos substituir - seja no trânsito, seja no palanque!

Aproveito neste ponto para deixar outra frase, não minha, que eu não produzo "opinião", no máximo, trato de conceitos, mas de um velho senador norte-americano chamado Ted Kennedy, sobre a questão política por excelência: quem tem razão? Quem está mais preparado, sobre a melhor condução desse diálogo.

Ele diz - "Chegou a hora de uma nova geração assumir a liderança do país. Chegou a hora de Barack Obama"

sábado, 2 de fevereiro de 2008

O trânsito brasileiro está matando cada vez mais motociclistas.

- Diálogo com um amigo que me enviou isso:

"O número de mortes de motociclistas subiu 83% de 2002 a 2006, quando passou a representar 25% das vítimas de acidentes fatais de transporte no País. O total de casos chegou a 6.829 em 2006, ano em que 5,5 milhões de motos circulavam no Brasil, conforme o Mapa da Violência dos Municípios Brasileiros. Em acidentes com carros morreram 7.440 pessoas, mas a frota de automóveis chega a ser três vezes maior. O secretário-executivo do Ministério da Justiça, Luís Paulo Telles Barreto, disse que o governo pode proibir que motociclistas circulem entre as faixas de carros.
"Os pedestres continuam sendo as principais vítimas do trânsito (morreram 9,4 mil, em 2006), mas as mortes de motociclistas aumentaram", avaliou o pesquisador Julio Jacobo Waiselfizs. Barreto atribuiu esse crescimento ao aumento do número de motocicletas em circulação - que subiu para 7,6 milhões no fim do ano passado. "Sei que 2007 foi o ano recorde de venda de motos no Brasil."
Barreto admitiu que a autorização dada pela lei para que os motociclistas circulem entre as faixas de carros fez crescer o número de acidentes. Antes do Código de Trânsito Brasileiro, dez anos atrás, a lei proibia motoqueiros de passarem entre os carros. Segundo o secretário, essa é uma regra que o ministério estuda mudar no pacote de ações contra a violência no trânsito, a ser apresentado amanhã." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

"Nos motociclistas somos vitimas da violencia no transito provocado em grande parte pelos carros(que deveriam arcar com a maior parte do aumento dessa conta) assim como os pedestres que são as maiores vitimas. Mas os lobistas com suas campanhas publicitarias e suas ações governamentais estão tentando dificultar a vida dos motociclistas ,como os aumentos abusivos do seguro do DPVAT a 3 anos quando ja pagavamos 50% a mais do que os carros. Ou seja nos as vitimas e que pagamos as contas"

De sua opinião e me reenvie.


Wilson

++

Resposta:
Olá Wilson,

Isso que você apontou tem causas mais profundas. Veja, como é de conhecimento público o sistema de reajuste das apólices estão vinculados ao grau de risco, no valor agregado aos cotistas. Se ficou comprovado que temos sacado mais o seguro, então ele subirá, ou seja, "o seguro morreu de velho".
Em relação as injustiças que você aponta, eu sinceramente, não compartilho dessa vitimação do motoboy como podemos observar na fala de alguns líderes que os representam. Ao contrário, eu os vejo como Profissionais Motociclistas, autônomos em suas decisões sobre o que é melhor para eles - tanto é real, isso, que até hoje nenhum governante conseguiu enquadrar a Classe nessas leis de gabinete.
A minha contribuição, se posso dar alguma, é que somente apoiando os movimentos legítimos desses Profissionais poderemos ver um dias eles não sendo arremessados de um lugar para outro, na mão dessas pessoas. Assim como no trânsito, eles juntamente com os outros motociclistas, formam uma categoria de condutores, que devem se manifestar a respeito de tudo isto - mas, principalmente, exigir do Poder Público medidas que realizem no trânsito a cidadania - ou seja, uma ampla e duradoura Campanha de Educação no Trânsito - afinal, dinheiro recolhido pelas multas EXISTE!

Falta, enfim, uma verdadeira liderança para fazer jús as nossas reivindicações você não acha?

Eliezer

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Prefeito de Bogotá sugere "pacto" com os motoboys



Motoboys do canal*MOTOBOY posam em frente ao painel da Exposição "Motoboys transmitem de celulares" de Antoni Abad, no Centro Cultural São Paulo


Em recente visita a São Paulo o filósofo e matemático Antanas Mockus, 55, ex-prefeito de Bogotá por 2 vezes "deu" algumas lições ao atual prefeito Gilberto Kassab, mas creio que ele não prestou muito atenção, dormiu na aula!?

Claro que o nosso prefeito paulistano tem um sonho, ser ele o grande responsável pela regulamentação dos profissionais motociclistas na Capital. É um belo sonho. Que, entretanto, pode ser um pesadelo. Isso por que, ele, como muitos, desconhecem a "revolução" que foi o banho de cidadania em Bogotá. É impressionante, mas o exemplo dos outros não serve de nada. Mas também, não conhece, e não tem idéia, do fundo de problemas que impede que nos enquadremos nas leis. Nós não somos placas publicitárias, que pela vontade soberana ele limpou da cidade.

Nós somos sujeitos numa cidade que não nos reconhecem.

Em Bogotá, o prefeito de lá começou com um plano de ação voltado a educação no trânsito, depois se estendeu para todas as áreas da administração - deu resultados!

Em São Paulo, além de ignorar completamente o limbo em que se encontra a área de educação no trânsito - alguém lembra quando foi a última campanha? - o prefeito simplesmente faz experimentalismos com a vida dos motoboys e esconde que tem mais de um bilhão para poder investir. Oras! Nós precisamos de investimentos, em educação, cultura, saúde... e vias exclusivas para motos!!

(Quem está adorando tudo isso são os outros concorrentes ao cargo - Alkimim, Marta, etc - os motoboys estão trucidando o Kassab.)

Que ele não tem como escapar desde movimento dos motoboys, está claro - o Serra deixou-lhe a batata quente - Agora em vez de dizer que está preocupado com a Categoria, deveria aproveitar o restinho de governo que lhe resta e propor aos seus partidários, não isto que está ai, mas um plano de ação para integrar os motoboys à sociedade.

Começando...

- Educação: em vez de cursinho de motofrete em escolinha de CFC, cursos de profissionalização e direção defensiva nos pátios hoje ocupado pelas motos apreendidas

- Trânsito: em vez de medidas proibitivas (paliativas) sobre pontos de alto risco, um estudo e planejamento de readequação do espaço das vias e das áreas dos estacionamentos propondo uma outra geometria que não seja a exclusão

- Cidadania: em vez de particularizar as categorias do trânsito, desenvolver Campanhas Educativas para toda a população, usando a rua como local ideal para esta ação, ganhando com isto a todos para uma melhor qualidade de vida

- Empresas: fiscalizar todas as empresas que prestam serviço em todas as condições, como espaço para as motos, ambiente para os funcionários e condições sanitárias

- Regulamentação: fiscalizar o processo de regulamentação, e todos os envolvidos para evitar corrupção, proibindo serviços de despachantes e fazendo vistoria nas aulas para que estas não sejam usadas por terceiros para fazer campanhas publicitária ou política eleitoreira, como candidatos caras de paus


Quem tiver dúvida que não vai ser fácil regulamentar é só sair as ruas e verificar os ânimos... ou ouça as entrevistas no canal*MOTOBOY (click sobre a palavra FALA no canal Dia*a*dia)

... mas tem outra solução: Reconher que esta regulamentação não vai resolver o problema e juntar todas as nossas forças e começá-la do zero! - EM BRASÍLIA!!!


(Para ver a matéria do prefeito de Bogotá Folha SP http://stoa.usp.br/motoboy/forum/3293)

sábado, 26 de janeiro de 2008

como não poderia deixar de ser, vou comentar a nossa matéria que saiu na Veja SP...


como não poderia deixar de ser, vou comentar a nossa matéria que saiu na Veja SP...

A começar pela capa. - Bem louco não: é esta a imagem que os grandes veículos de comunicação fazem da gente. Bem motoboy: o Motoqueiro Fantasma apavorando a cidade...

Poderia ser a foto onde os motoqueiros estavam em frente a Prefeitura (pág. 32, 33): mas imagina: Jamais! Jamais eles colocariam uma foto com esta força, então, ficamos assim, eles dizem o que querem e nós aqui dizemos o que pensamos.

Capacetes em punho, os motoboys foram as ruas. E eles exigem que sejam ouvidos. Mas, infelizmente, o prefeito já mandou dizer que NÃO negocia sob pressão. Então, ele negocia como? cara-pálida.

Bom é sempre assim. Ele vai fazendo experimentalismos. E nós vamos sendo massacrados pelas péssimas condições no trânsito.

Disse ele que não deu certo, a tal da faixa da 23 de maio. ( sim, segundo a CET aumentou o trânsito na autopista [puxa! não diga] - mas também, segundo o Hospital das Clinicas, o HC, sobrou macas vazias nos corredores, por que diminuiu os acidentes na região com motocicletas).

Então? Qual o critério?

Quer dizer que as vidas que foram salvas NÃO contam?

O ponto alto desta matéria da vejinha foi a possibilidade de se mostrar vários ângulos onde "quase" todos foram ouvidos. E alguns que deviam ficar de boca fechada - como é o caso deste vereador que pegou garupa na dura luta dos motoboys para se auto-promover - por que - pelo amor de Deus, quem não está vendo isto! - ele sabe que seu projetinho NÃO vai passar na Câmara, mas, até ai, ele ficou famoso a nossas custas por que sabe que parte da sociedade odeia motoboy, e vai passar por bom moçismo.

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Além de ficar obviamente claro que o que está escrito na capa da revista é pura non sense , afinal NÃO existe esta solução: "como acabar com essa guerra".

E, como disse o Ronaldo Simão, coordenador do canal*MOTOBOY e motoqueiro a 14 anos: "Falta educação para quem dirige carro, ônibus, caminhão e, claro, moto".

Falta, Ronaldo, por que a Prefeitura de São Paulo nestes 454 anos nunca fez um investimento em educação de trânsito. - Pior, gasta o parco dinheiro em anúncios que passam na TV enquanto o cidadão boceja de frente de televisores...

Não há educação por que não há vontade política.

Não há vontade política por que não existe uma representação política dos mensageiros botando pressão sobre os políticos.

Não há pressão política (1° por que não haviam representatividade - o que está se contruindo agora com a nova diretoria do Sindicato) porque somente quando o capital for atingido em sua coluna vertebral é que eles, "os políticos", dar-se-ão conta que não são eles os donos da Categoria. Mas a massa. Buzinando. Parando não o trânsito, mas a logística das empresas de moto-entregas. Sim, ai "eles" vão querer negociar...

Mas para isso é preciso:

- Organização
- União das entidades representativas de Classe
- Respeito pela história daqueles que vieram antes
- E conhecimento de causa

Enfim, NÓS sabemos como acabar com esta guerra. E os profissionais motociclistas sabem o que querem para eles. Já resistimos 1 vez, 2 vezes, 3 vezes... as regulamentações. Então?

Que esta lição a sociedade terá. Que nós somos a História dessa Cidade. É isso.

Bom MOTOBOY FESTIVAL para todos e um bfs. Atéh

canal*MOTOBOY

canal*MOTOBOY
Coletivo Canal Motoboy