quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Sarau 3ª Semana de Cultura Motoboy

RELATO III - "Sarau 3ª Semana de Cultura Motoboy", é uma iniciativa do Coletivo canal*MOTOBOY em colaboração com a empresa de entregas rápidas Translig que propõem uma experiência inusitada, promover a difusão cultural através da literatura. Nos últimos anos vimos que a imagem dos profissionais motociclistas tem mudado em relação aos estereótipos criados pela sociedade. Ao desenvolver um trabalho cultural, como abrir uma biblioteca dentro de uma empresa de motoboy, o casal de empresários Rafael e Kátia surpreendeu-nos com uma perspectiva completamente nova. A ideia de que literatura e serviço de moto express não são excludentes. Foi, portanto, a partir dessa iniciativa, que nós, do canal*MOTOBOY, ficamos sabendo pela imprensa, que tivemos a ideia de fazermos um ciclo de oficinas dentro da Translig, e irmos lá pessoalmente conhecer a famosa biblioteca dos motoboys. E levar o resultado dessa experiência a nossa 3ª Semana de Cultura Motoboy, que se inicia em 22 de agosto próximo. Em relatos anteriores, mostramos o dia a dia dos motoboys e funcionários da Translig. Tivemos a oportunidade de fazer novos amigos e conhecer gente nova na profissão. Deixamos sempre a vontade, as falas dos motoboys falam por si mesmas. As dificuldades da profissão. As discussões sobre as novas regras do setor. O mercado de trabalho e a maneira de enxergar os valores e desejos de uma classe que sempre teve a sua própria lógica de existir. "Só quem está dentro sabe"! - Esta é uma frase corrente, tanto dos motoboys quanto dos empresários deste segmento. Não há, neste sentido, necessidade de expor todas as discriminações aqui, nestas parcas linhas. Apenas, no momento, queremos destacar uma, que tem seu mais alto valor e que por falta de visão poderá entorpecer os caminhos que se descortinam à frente. No caso, específico, vimos que nossos profissionais, embora sejam acusados de todos os lados, não são incompetentes. Pelo contrário, são justamente suas competências e habilidades que estão sendo colocadas em risco. O capital de conhecimento que nossa categoria acumulou nos longos anos de expropriação - e não há aqui outra palavra - haja visto que, as motocicletas são os melhores bens que tens - consolidando um trabalho árduo e de alto risco, pode simplesmente ser ignorado, seja pela ganância de uns, ou ignorâncias de outros. É uma consequência direta de nossas próprias escolhas. Os motoboys resistiram a estes ditames por mais de uma década. Ignorar hoje que as suas competências, em organizar seu trabalho diário, suas responsabilidade e seus espaços, é ignorar sua capacidade de sujeitos políticos. E no Brasil hoje, nossa categoria está vivenciando um processo de politização inovador e de afirmação de sua liberdade de pensar. Não precisamos de pesquisas para nos informar que parte da categoria não deseja a regulamentação, parte dela não acredita mais e ainda, uma outra, estaria até mesmo escluida à priori caso se fechar o cerco (como já ouvimos de alguns representantes da própria categoria, que os representa - ou deveria). A maior parte dos profissionais motociclistas, motoboys e motogirls esperam na regulamentação uma saída. Esperam dos órgão e instituições que são responsáveis por ela uma resposta. Mais que isto, uma solução. Lembro, recentemente, que eu estava dentro de um ônibus na periferia, indo a casa de uma amigo buscar minha moto e era a hora de se voltar e o ônibus estava lotado. Como havia entrado no terminal, estava sentado, duas moças ficaram ao meu lado. À grávida, cedi o lugar. À que trazia um capacete rosa (ela ia de moto e voltava de ônibus ao trabalho), puxei papo. Eram amigas e fomos até o João XXIII conversando. Ambas esposas de motoboys. Não revelei minhas preocupações e pelos problemas que afetam a categoria dos motoboys. Também não disse nada sobre meus quinze anos sobre as duas rodas. Elas viram em mim apenas o professor, que sou. Mas elas me mostraram uma nova realidade. Havia esperança em suas vidas de esposas de motoboy (elas detestam o termo "motofrete", pelo menos não fazia sentido quando eu os chamava assim) mostraram uma esperança que estava nos corações destes profissionais e que eles haviam levados as suas famílias. Eles acreditavam que a regulamentação traria novos ares. "Arrumaria a bagunça!" - como disse a gestante. Esta semana, quando voltei a Translig (veja o Relato II), não tinha mais palavras. Os motoboys tinham debatido e escolhido ao nosso Sarau da 3ª Semana de Cultura Motoboy, o tema "Mulheres Motociclistas", em homenagem a nossas guerreiras, motoqueiras, garupeiras, motogirls e motociclistas. A todas elas, nossas homenagens! Parabéns!

Um comentário:

Mariana disse...

Como foi a semana do Motoboy?
É a primeira vez que escuto sobre essa semana, mas parece muito interessante.
Eles são empresários e profissionais confiaveis?

canal*MOTOBOY

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Coletivo Canal Motoboy